Quantas pessoas já precisaram pedir uma xícara de açúcar ao vizinho, uma força ao colega de classe para copiar o conteúdo dado em sala de aula, uma indicação de contato de um médico especialista para uma consulta?

Por que será que para estas e outras necessidades corriqueiras acha-se aceitável e comum o pedido de auxílio, mas para um apoio de rede de contatos, com conhecidos e desconhecidos em um processo de transição de carreira, acha-se “vergonhoso”, ” humilhante” ou algo parecido?

Alguns profissionais se esquecem do aspecto humano nas relações de trabalho e com o próprio mercado, e deixam de fomentar e ativar sua rede de contatos, lembrando-se dela somente quando se sentem “por baixo”, “por fora” ou precisam de favores.

É natural pensar desta forma se for apenas para isso mesmo. Porém, é urgente em termos de mudança de paradigma, que haja a consciência de que networking é para toda a vida e uma via de nutrição de mão dupla.

Ativar uma rede sócio profissional é um processo diário, tão vital quanto colocar água em uma planta. Deve ser leve, fluído, relativamente informal, humanizado e educadamente uma via de acesso aos lugares e pessoas que são importantes para sua vida.

Sim, é essencialmente uma rede de trocas, repleta de contrapartidas: trocas de contatos, indicação de oportunidades, leituras, notícias, toques para melhorar a marca pessoal, um “oi” após algum tempo de afastamento porque a vida toma rumos diversos; um parabéns pelo novo emprego, uma recomendação de competência e tudo o que pode desenvolver um processo de comunicação contínua e duradoura.

Para fomentar e nutrir uma ampla e sólida rede de contatos, deve-se utilizar redes sociais e profissionais, com destaque para o tão conhecido LinkedIn.

Seja gentil e deixe claro que egoísmo não tem vez. Grande desafio esse, não é mesmo?

Evite as palavras: AJUDA, VAGA e EMPREGO ao se comunicar. Quem está do outro lado não deseja sentir pena, não buscará uma vaga para você nem terá a obrigação de lhe ajudar.

Está ali para trocar informações relevantes e atuais, trocar contatos e buscará de alguma forma se sentir útil, mas não fará favores.

Ao fomentar a rede de contatos, não peça. Doe. É dando que se recebe e é estar atento ao outro que lhe fará encontrar as melhores e mais valiosas oportunidades de falar com alguém que poderá fazer a diferença no momento exato.

Procure estabelecer uma relação cordial, ativa e essencialmente comunitária, como se estivesse trocando ingredientes para uma bela receita de um bolo que será compartilhado. A sua carreira também representa esse “bolo” e pode ser compartilhada a todo o momento com quem troca e trocará tantas coisas boas com você.
Saia do casulo, não sinta medo nem vergonha e ofereça o que tem de melhor à sua rede e ela retribuirá.

 

Psicóloga pela PUC-SP, formação em Psicanálise pela Clínica Roberto Azevedo e Pós Graduação em Abordagem Analítica pelo COGEAE PUC-SP, iniciou a carreira nas áreas clínica e hospitalar. Migrou para a área de Recursos Humanos como Headhunter e Coordenadora em Projetos de Outplacement na LHH | DBM do Brasil em São Paulo. Atuou como Coordenadora e Gerente de RH – Gestão de Pessoas em agências de Marketing, Trade Marketing e Terceiro Setor. Atualmente realiza workshops e palestras sobre temas relacionados à transição de carreira e atendimentos em Orientação de Carreira e Outplacement pela Right Management. Como Headhunter, executa e realiza a gestão de processos seletivos.