O Brasil segue sendo um dos focos mundiais de contágio pelo COVID-19, no entanto, protocolos para a retomada gradual de comércios e empresas estão sendo desenvolvidos, e muitas expectativas têm sido criadas em relação ao que alguns chamam de “novo normal” – mas afinal, o que isso quer dizer? “Normal” porque observa-se a volta ao trabalho realizado presencialmente, assim como de outras atividades rotineiras que haviam sido adaptadas ao cenário de isolamento social, mas ao mesmo tempo “novo”, uma vez que diversas precauções terão que ser adotadas, fazendo com que os profissionais enfrentem desafios específicos em meio a um contexto nunca antes vivenciado.

No estado de São Paulo, epicentro da pandemia no país, a gestão do atual governo determinou um projeto de retomada econômica, o “Plano SP”, que prevê o retorno de serviços não essenciais por etapas. Essa medida está alterando significativamente a rotina daqueles que, por conta do vírus, adotaram o teletrabalho, comumente denominado home office. E se normalmente já demora algum tempo para se acostumar com uma mudança abrupta de rotina como a adoção do distanciamento social, a volta ao “normal” faz com que seja necessária uma (re)adaptação completamente nova e tão desafiadora quanto.

Ao conversamos com alguns profissionais que tem realizado o teletrabalho, tivemos contato com diferentes percepções a respeito de como está sendo trabalhar de casa e o que esperam para o retorno. Muitos encontraram dificuldades para se adaptar de primeira, mas ao longo do tempo aprenderam a tocar as demandas por conta própria, sem que fosse necessária supervisão.

Para alguns, a quarentena e o trabalho a distância foram uma oportunidade para passar mais tempo com os filhos e o resto da família, e consideram isso um ganho dentro do cenário atual, principalmente pela distância entre sua casa e o trabalho. Entretanto, a incerteza acerca de quando acabará o isolamento torna-se um fator gerador de ansiedade para alguns destes entrevistados.

Outro sentimento bastante comum entre os profissionais é a saudade de estar perto dos amigos e até mesmo dos colegas de trabalho. Entre os entrevistados, um deles aponta que por mais que goste de trabalhar em casa, a tarefa torna-se difícil a partir do momento que é uma imposição e não uma escolha, e acredita que com o passar desse período conturbado, as pessoas darão mais importância para as pequenas coisas do dia-a-dia, como estar próximo de pessoas queridas e ter a liberdade de fazer o que se gosta sem as limitações atuais.

Tomando esses relatos como exemplo, pode-se observar um cenário promissor em diversos aspectos do movimento de retorno ao trabalho presencial, mas ao mesmo tempo limitante devido as precauções necessárias a serem tomadas para evitar a propagação do vírus e para que as tarefas sejam realizadas com qualidade. Contudo, um ponto que também deverá ser levado em consideração nessa nova fase é a quebra da barreira entre a vida pessoal e profissional, ocasionada pelo período de isolamento social, principalmente para aqueles que realizaram teletrabalho durante toda a quarentena.

Nesse novo contexto, passamos a conhecer nossos colegas de trabalho mais intimamente, seja a partir da observação do espaço da casa que foi adaptado para se tornar um local de trabalho, o barulho da família ou de uma campainha durante uma chamada ou até mesmo por animais de estimação que resolviam “dar as caras” durante videoconferências. E tudo isso contribuiu para trazer mais humanidade para as relações de trabalho – algo que muito provavelmente, será carregado e (re)adaptado ao “novo normal” junto à todas as outras questões levantadas aqui anteriormente.